Em 1996, por ocasião do I Encontro de Grupos de Apoio à Adoção em Rio Claro – SP o dia 25 de maio foi eleito como o Dia Nacional da Adoção. Em 2002 o projeto de lei 10.447- 09/05/2002 foi sancionado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Todo filho precisa ser gerado no coração, seja biológico ou adotivo; em outras palavras, todo filho precisa ser adotado. A adoção é um dos meios de se gerar. A Constituição Federal, nossa Carta Magna garante a toda criança e adolescente o direito a convivência familiar e comunitária. Toda criança tem direito a viver em família e este direito deve ser tratado com prioridade.
Hoje o tema da adoção é tratado com mais abertura e liberdade, contudo há muito que desmitificar. Ainda existe um preconceito social (velado ou não) a respeito da adoção, vista por muitos como um “Plano B”, um caminho difícil de dar certo, ato praticado por “pessoas nobres”. Pensamentos assim denotam a necessidade de refletirmos e discutirmos constantemente a parentalidade, inclusive a adotiva. O que faz de nós pais de verdade? Quais são nossas motivações ao desejarmos um filho? Nossos ideais podem se adaptar ao real que nos espera na próxima esquina da vida? Filho tem que ter a mesma cor de pele? E se for gerado em mim, que certeza tenho eu de que nascerá com saúde? Quando nos dispomos a ser pais (biológicos ou adotivos) estamos nos enveredando por deliciosos caminhos desconhecidos e plenos de desafios e perplexidades. Veredas que nos expandem, realizam, mas também nos desafiam, confrontam e nos transformam.
Segundo a pesquisa Encontros e Desencontros da Adoção no Brasil, feita pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do Conselho Nacional de Justiça, a idade avançada da criança é o maior empecilho para que seja adotada, superando variáveis significativas como doenças e cor da pele. Dados atualizados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) de maio de 2013 registram 29.440 pretendentes a adoção no país. Desse total, 21.998 declararam aceitar crianças entre 0 a 5 anos, o que corresponde a 75%. “A grande maioria dos pretendentes à adoção deseja adotar uma criança com idade entre zero e cinco anos. O problema é que esta faixa etária corresponde a apenas 9% das crianças aptas à adoção.” Já observamos significativa mudança no perfil dos pretendentes, que a pouco tempo preferiam crianças com no máximo 3 anos de idade. Esta ampliação do perfil da criança desejada, demonstrando menos exigências dos postulantes à adoção quanto a idade, cor, situação de saúde e aceitando em alguns casos grupos de irmãos, segundo o Conselho Nacional de Justiça deve-se principalmente á atuação dos Grupos de Apoio à Adoção.
Hoje no Brasil já somos mais de 160 Grupos de Apoio à Adoção. Cidadãos voluntários que tem colaborado efetivamente para uma mudança de pensamento no que tange à adoção, para a formação de pais mais conscientes e para a expansão do perfil da criança desejada. Tem favorecido crianças e adolescentes brasileiras para que usufruam do direito constitucional a convivência familiar e comunitária; que não sejam esquecidos em “abrigos” (instituições de acolhimento) por anos a fio, vivendo um segundo abandono, tendo sua história roubada. Além disso os grupos promovem trocas de experiências, encontros e orientação especializada que dão suporte às famílias para viverem cada uma de suas fases com mais lucidez, qualidade nos relacionamentos, proporcionando o encontro de novas respostas e resignificações.
Em Uberlândia temos muito que celebrar: Neste último ano foi criado o Pontes de Amor – Grupo de Apoio à Adoção, cuja equipe de voluntários e parceiros tem atuado de forma incansável apoiando e incentivando a adoção legal. Graças à atuação do Ministério Público e da Vara da Infância e da Juventude de nossa cidade nos últimos meses reduziu-se o número de crianças e adolescentes acolhidos de 208 (duzentos e oito) para 68 (sessenta e oito). Quase 70% foram reinseridos em suas famílias de origem (quando isso foi possível) ou encaminhados para famílias substitutas (adotivas). Ainda há muito o que ser feito, precisamos continuar agindo, mas é fato que há muito o que comemorar.
No dia 25 de maio, sábado, às 15:30 realizaremos a Caminhada da Adoção no Parque do Sabiá (Entrada pelo Bairro Tibery), onde vestidos de camisetas brancas, estaremos em família, entre amigos, caminhando, cantando, fazendo piquenique, brincando, celebrando a vida, a família, os pais e os filhos; dizendo SIM à Adoção! Venha dizer SIM! Sim aos que desejam e devem ter alguém para chamar de pai ou mãe.
Sara Vargas
Presidente do Pontes de Amor
Esp. Terapia Familiar, Personal & Professional Coach

